Impasses são realidades em quase todas as relações
com o cliente, digo isso porque sempre os objetivos do cliente são diferentes
dos objetivos da organização. Em grande parte dos casos, a organização busca
suprir uma necessidade da sociedade em geral, enquanto o cliente espera ter
suprido um desejo pessoal.
Quando escrevo desejo, não me refiro a suprir um
desejo estrategicamente para fidelização de clientes, mas como um desejo sem
mais explicações e que surge no ego mal formado em pessoas insaciáveis de
atenção.
Ao traçar os objetivos de uma organização, visa-se
incluir as necessidades de seus clientes e como supri-las, ao passo que no
contexto que vivemos, os interesses próprios sempre são as prioridades, e na
prática fica difícil de se observar este anseio da organização em suprir essas necessidades devido à
competitividade do mercado e a relação impessoal com os clientes.
Uma frase de autor desconhecido me chamou a
atenção certa vez, onde dizia: “Na prática, a teoria é outra.”, e isso é o que
vemos quando se ouve também: “O cliente está sempre com a razão.” porque isso
sempre se foi ouvido, mas o cliente nem sempre teve sua merecida posição.
Nestes dias, tenho vivido uma situação que posso
usá-la para desenvolvermos essa ideia: comprei um novo quarto para mim que sou
casado, e em consenso com minha esposa, decidimos que esse seria um presente
mútuo para o dia dos namorados desse ano. Assim, adquirimos o produto no dia 4
de junho e ficou agendado que ele seria montado no dia 11 desse mesmo mês.
Durante esses dias, cresceu a expectativa, e a
curiosidade de como ficaria o novo quarto, como seriam dispostos os móveis,
quais seriam os objetos decorativos e, enfim, como seria bom usufruir deste
presente no dia que é tão especial em nossa cultura ocidental.
Lamento entristecer você que lê isso comigo, mas o
quarto foi montado somente no dia 13 de junho. E como você deve estar
imaginando, os móveis do antigo quarto já haviam sido doados e minha esposa e
eu tivemos que dormir no colchão no chão, usando a força do pensamento para
acreditar que estávamos confortavelmente em uma cama.
Neste caso, é visível que, eu como cliente estava com a
razão; mas e quando não houver provas, testemunhas, mas apenas fatos, que
normalmente são cotidianos e mais que corriqueiros nos balcões de atendimento
ou em chamadas telefônicas com operadoras de telemarketing?
O cliente sempre estará com a razão porque ele
sente que com seu poder de compra e a necessidade de venda da organização,
qualquer dificuldade deverá ser superada para que aconteça a venda. Mas a
organização também pensa que não é obrigada a vender a este cliente, se muitos
outros estão também interessados em seu produto.
| "Impasses sempre acontecerão e o que se deve fazer é evitá-los" |
Assim, a conclusão que se chega, é que impasses
sempre acontecerão e o que se deve fazer é evitá-los. Neste sentido, devem ser
tomadas atitudes pró-ativas para o não acontecimento de novos impasses ou
buscar tornar esse impasse contornável.
Para isso essas atitudes devem ser nutridas em
todos os níveis hierárquicos da organização que tenha contato direto com o
cliente. Isso resultará em uma redução nos conflitos relacionados ao nível de
satisfação do cliente, em relação ao produto/serviço adquirido desta
organização.
Não permita, que frases como esta “O cliente tem
sempre a razão.”, se torne verdade pelo fato de ter sido muito repetida. Essa
não é a característica principal para torná-la em uma teoria ou até estilo de
vida. Mas um fato torna-se fato, somente quando assim o definimos e agimos.
Não reduza ou menospreze os valores
organizacionais para satisfazer desejos dos egos dos clientes, mas cumpra com
suas responsabilidades, evitando falhas e desvios nos processos para que
impasses sejam eliminados e os conflitos diminuídos.
Um comentário:
Para mim, essa frase é um absurdo!
Concordo que não é porque a pessoa tem dinheiro que ela deverá ser tratada diferente ou ter sempre razão.
Uma boa empresa ou um bom funcionário nunca deve pensar assim, mas deve se valorizar pelo seu trabalho bem realizado!
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