quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O Cliente tem sempre razão?


Impasses são realidades em quase todas as relações com o cliente, digo isso porque sempre os objetivos do cliente são diferentes dos objetivos da organização. Em grande parte dos casos, a organização busca suprir uma necessidade da sociedade em geral, enquanto o cliente espera ter suprido um desejo pessoal.

Quando escrevo desejo, não me refiro a suprir um desejo estrategicamente para fidelização de clientes, mas como um desejo sem mais explicações e que surge no ego mal formado em pessoas insaciáveis de atenção.

Ao traçar os objetivos de uma organização, visa-se incluir as necessidades de seus clientes e como supri-las, ao passo que no contexto que vivemos, os interesses próprios sempre são as prioridades, e na prática fica difícil de se observar este anseio da organização  em suprir essas necessidades devido à competitividade do mercado e a relação impessoal com os clientes.

Uma frase de autor desconhecido me chamou a atenção certa vez, onde dizia: “Na prática, a teoria é outra.”, e isso é o que vemos quando se ouve também: “O cliente está sempre com a razão.” porque isso sempre se foi ouvido, mas o cliente nem sempre teve sua merecida posição.

Nestes dias, tenho vivido uma situação que posso usá-la para desenvolvermos essa ideia: comprei um novo quarto para mim que sou casado, e em consenso com minha esposa, decidimos que esse seria um presente mútuo para o dia dos namorados desse ano. Assim, adquirimos o produto no dia 4 de junho e ficou agendado que ele seria montado no dia 11 desse mesmo mês.

Durante esses dias, cresceu a expectativa, e a curiosidade de como ficaria o novo quarto, como seriam dispostos os móveis, quais seriam os objetos decorativos e, enfim, como seria bom usufruir deste presente no dia que é tão especial em nossa cultura ocidental.

Lamento entristecer você que lê isso comigo, mas o quarto foi montado somente no dia 13 de junho. E como você deve estar imaginando, os móveis do antigo quarto já haviam sido doados e minha esposa e eu tivemos que dormir no colchão no chão, usando a força do pensamento para acreditar que estávamos confortavelmente em uma cama.

Neste caso, é visível que, eu como cliente estava com a razão; mas e quando não houver provas, testemunhas, mas apenas fatos, que normalmente são cotidianos e mais que corriqueiros nos balcões de atendimento ou em chamadas telefônicas com operadoras de telemarketing?

O cliente sempre estará com a razão porque ele sente que com seu poder de compra e a necessidade de venda da organização, qualquer dificuldade deverá ser superada para que aconteça a venda. Mas a organização também pensa que não é obrigada a vender a este cliente, se muitos outros estão também interessados em seu produto.


"Impasses sempre acontecerão
e o que se deve fazer é evitá-los"
Assim, a conclusão que se chega, é que impasses sempre acontecerão e o que se deve fazer é evitá-los. Neste sentido, devem ser tomadas atitudes pró-ativas para o não acontecimento de novos impasses ou buscar tornar esse impasse contornável.

Para isso essas atitudes devem ser nutridas em todos os níveis hierárquicos da organização que tenha contato direto com o cliente. Isso resultará em uma redução nos conflitos relacionados ao nível de satisfação do cliente, em relação ao produto/serviço adquirido desta organização.

Não permita, que frases como esta “O cliente tem sempre a razão.”, se torne verdade pelo fato de ter sido muito repetida. Essa não é a característica principal para torná-la em uma teoria ou até estilo de vida. Mas um fato torna-se fato, somente quando assim o definimos e agimos.

Não reduza ou menospreze os valores organizacionais para satisfazer desejos dos egos dos clientes, mas cumpra com suas responsabilidades, evitando falhas e desvios nos processos para que impasses sejam eliminados e os conflitos diminuídos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Para mim, essa frase é um absurdo!

Concordo que não é porque a pessoa tem dinheiro que ela deverá ser tratada diferente ou ter sempre razão.

Uma boa empresa ou um bom funcionário nunca deve pensar assim, mas deve se valorizar pelo seu trabalho bem realizado!